quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os riscos de trabalhar sem sair da cama


O que é mais produtivo e confortável: usar o laptop esparramado na cama ou devidamente sentado em uma mesa?
Estudiosos de hábitos de trabalho dizem que uma nova geração, que praticamente nasceu usando aparelhos móveis, está cada vez mais acostumada a teclar recostada em almofadas, deitada ou em posição fetal.
Metade dos mil trabalhadores entrevistados neste ano pela Good Technology, fabricante americana de sistemas de segurança para plataformas móveis, disse ler ou responder e-mails de trabalho sem sair da cama. Um estudo com 329 trabalhadores britânicos revelou que quase um em cada cinco passa de duas a dez horas por semana trabalhando da cama, segundo uma pesquisa de 2009 da Credant Technologies, empresa londrina de segurança de dados.
Entre aqueles que trabalham em meio aos lençóis, há quem queira simplesmente monitorar a caixa de entrada ou responder rapidamente a clientes e colegas localizados em outro fuso horário, mostram as pesquisas. Uma pessoa de 37 anos que respondeu a uma pesquisa feita em 2012 pela Infosecurity Europe, uma associação do setor em Londres, disse que "quando você trabalha com gente do mundo todo, é difícil evitar" levar serviço para a cama.
Laura Stack, especialista em produtividade radicada em Denver, no Colorado, disse que o número de clientes seus que trabalham na cama dobrou na última década.
Muitos acham que, com isso, serão mais produtivos. Volta e meia, no entanto, é só uma desculpa para adiar tarefas no horário normal de trabalho. "O raciocínio é o seguinte: 'Já que à noite vou trabalhar um pouco em casa, na cama, posso muito bem tirar uma horinha agora para checar o Facebook e o preço de passagens para minha próxima viagem", diz Stack. Seu conselho? Que a pessoa se esforce para ser mais eficiente durante o expediente e reserve a cama para o sono e o sexo, nada mais.
Alguns se deixam absorver de tal maneira por aparelhos portáteis que se sentem relapsos se desligam a parafernália. Para muitos, trabalhar na cama é um passo rumo à "sujeição à tecnologia", diz Daniel Sieberg, ex-repórter de tecnologia que publicou, em 2011, o livro "The Digital Diet" (literalmente, "o regime digital"), no qual conta como venceu o vício em aparelhos eletrônicos.
"Minha mulher tinha um apelido para mim: 'vaga-lume', porque mesmo na cama meu rosto estava sempre iluminado por alguma tela", conta. "Posso dizer, por experiência própria, que ficar com o olho pregado em uma tela não faz bem para a relação". Hoje, Sieberg fez do quarto uma "zona livre de eletrônicos".
Carregadores são plugados em outro lugar da casa. Para acordar, em vez do alarme do celular, ele usa um despertador. Mais de metade das pessoas cujo companheiro trabalha na cama acha o hábito irritante, segundo a pesquisa da Credant.
Pesquisas de mercado da americana Reverie, fabricante de camas ajustáveis, sugerem que até 80% dos jovens profissionais na cidade de Nova York trabalham regularmente da cama, diz o diretor-presidente da empresa, Martin Rawls-Meehan. A Reverie está lutando para mudar a imagem da cama ajustável - vista como "coisa de hospital" - para atrair o público mais jovem. A ideia é mostrar que elevar a cabeça ou os pés pode reduzir a tensão na hora de ver TV ou trabalhar deitado.
As camas da Reverie vêm com tomada embutida na base para quem quiser conectar uma lâmpada, um televisor, um laptop. Tanto a tomada como os ajustes da cama podem ser operados com controle remoto, ou por Wi-Fi e Bluetooth através do celular ou do tablet.

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