sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Remessas de lucros ao exterior voltam a aumentar


As remessas de lucros e dividendos do Brasil ao exterior voltaram a crescer em relação a igual mês de 2011, após cinco meses seguidos de queda. Já descontadas rendas de igual natureza recebidas em função de investimentos brasileiros em outros países, esses gastos internacionais somaram US$ 2,355 bilhões no mês passado, a maior cifra para meses de outubro já apurada pelo Banco Central e valor mais de 50% acima do verificado em outubro do ano anterior (US$ 1,558 bilhão).
O BC vê nisso mais um sinal da aceleração da atividade econômica. Durante oito dos primeiros nove meses deste ano, o montante de recursos que saíram do país a título de remuneração sobre investimentos estrangeiros diretos e indiretos no capital de empresas apresentou recuo na comparação interanual. A exceção foi o mês de abril, quando houve elevação sobre abril de 2011. Na comparação dos acumulados até setembro de cada ano, houve queda de substanciais 55,5%.

Fernando Rocha, chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, destaca que, diferentemente do que houve em abril, desta vez o aumento foi suficientemente forte para inverter a trajetória do valor acumulado em 12 meses. Ao longo dos primeiros nove meses de 2012, o acumulado em 12 meses caiu. De setembro para outubro, subiu, passando de US$ 25,852 bilhões para US$ 26,648 bilhões.
"Há uma inflexão", disse Rocha, ao divulgar os números ontem. Ele atribuiu o fato à aceleração mais recente do nível de atividade econômica. A queda do ritmo de crescimento da economia no segundo semestre de 2011, explicou, afetou o resultado das empresas transnacionais, deprimindo as remessas de lucros e dividendos ao exterior ao longo da primeira metade de 2012 e início do segundo semestre. A desvalorização cambial também contribuiu, na medida em que para o mesmo volume de dólares as empresas passaram a necessitar de mais reais para remeter.
Agora que a atividade econômica dá sinais mais claros de recuperação, as companhias voltam a elevar pagamentos aos acionistas estrangeiros. Rocha lembrou que do segundo para o terceiro trimestre, o IBC-BR, índice apurado pelo Banco Central, indicou crescimento econômico de 1,15%, o que representa uma taxa anualizada de 4,6%.
O BC acredita que no ano que vem a atividade econômica vai crescer mais do que está crescendo no segundo semestre deste ano. Por isso, acha que a tendência é de continuidade de recuperação das remessas de lucros e dividendos. Há que se considerar também a tendência de aumento do estoque de investimentos estrangeiros diretos, que geram lucros.

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