sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Falta de regras claras sobre negócios desestimula recursos privados


Crítica é de empresários do setor de infraestrutura, que dizem enfrentar um ambiente de insegurança
Cristina Ribeiro de Carvalho e Rafael Abrantes
Falta de marcos regulatórios nos mais diversos setores da economia e trava nos investimentos públicos são os principais pontos que precisam ser atacados pelo governo da presidente Dilma Rousseff este ano, se o objetivo é atrair capital privado para obras — principalmente de infraestrutura. Para entidades e empresários do setor que fazem essa avaliação, a persistência desses problemas cria um ambiente de insegurança para os empresários que se sentem desestimulados a ampliar seus investimentos no país, apesar de todas as medidas já anunciadas pelo governo para estimular o crescimento.
De acordo com Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema, entidade que representa o setor de infraestrutura, tecnologia e inovação, o capital privado está arrepiado. “O Brasil está perdendo competitividade frente a seus principais parceiros, justamente por ter negligenciado investimentos em infraestrutura nos últimos 25 anos”, afirma.
Enquanto o investimento em infraestrutura na China atinge 13,4% de seu Produto Interno Bruto (PIB), no Chile, 6,2%, Colômbia, 5,8%, e Índia, 4,8%, o Brasil deve fechar 2012 com participação de apenas 1,5%. “Vemos que os outros países realizam investimentos de peso”, diz. Oassessor de assuntos estratégicos da presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), André Rebelo, chega a ressaltar que em 2012 o investimento público foi 20% menor em termos reais do que em 2010.
Eurimilson Daniel, diretor da Escad Rental, empresa atuante no mercado de locação de máquinas e equipamentos, corrobora com os argumentos dos especialistas ao afirmar que a questão do marco regulatório é um inibidor aos investimentos. “Não há regras claras no ambiente de negócios. Os contratos que regem a privatização de rodovias, por exemplo, têm várias diferenças. Isso sem contar as reformas tributária e trabalhista que precisam ser feitas”, destaca. Apesar de apontar esses problemas, o empresário afirma que irá manter seus investimentos este ano, estimados em R$ 20 milhões.
Expectativas
José Velloso, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) não esconde sua preocupação com o desempenho do setor neste ano, após um 2012 em ritmo lento. E a expectativa não é boa até março. “Esperamos alguma melhora em faturamento a partir de abril. No 1º trimestre o setor ainda estará em queda, com vendas baixas desde agosto de 2012”, afirma o empresário. “Ainda não chegamos no fundo do poço”, reforça. Segundo ele, as receitas do setor no 1º trimestre devem cair 10% na comparação com igual período do ano passado. Demissões também devem prosseguir entre janeiro e fevereiro, diz. Cerca de dez mil postos diretos de trabalho foram eliminados por empresas da área no ano passado. Apesar do mercado parado, ele destaca a desoneração da folha de pagamento como o principal benefício do governo ao setor nos últimos balanços. “Isso reduziu de 1,5% a 2% o custo das empresas, um efeito muito bom”. A projeção da Abimaq para o fim deste ano é expandir o faturamento em 5%, um resultado considerado modesto. Por outro lado, os próximos meses apontam para um cenário mais positivo para o setor de petróleo. “Esperamos fortes investimentos no desenvolvimento de novos campos de exploração”, afirma Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP). Ele evita antecipar estimativas de investimentos, mas ressalta o potencial médio de recepção de aportes do setor: entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões por ano. Segundo ele, apesar das projeções positivas em torno do pré-sal, a atividade obteve resultados abaixo do esperado em investimentos no ano passado. “É importante agora que a Petrobras mantenha sua capacidade de investir para que os projetos da área sejam realizados”, afirmou.

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