Os brasileiros estão mais conscientes e exigem cada vez mais do governo, tanto como provedor, quanto no papel de regulador das relações de consumo.
Por Denize BACOCCINA
Nos últimos anos, o consumidor brasileiro ficou mais poderoso. O aumento da renda levou a uma sofisticação do consumo, e a expansão do crédito permitiu realizar sonhos, como a compra facilitada do carro zero ou da casa própria. Agora, com o crescimento da nova classe média, a demanda pela manutenção dessas conquistas, e por qualidade, inclusive nos serviços públicos, cresce sensivelmente. Situada entre a população de renda mais alta, que depende pouco das políticas governamentais, e os mais pobres, beneficiados por programas como o Bolsa Família, a classe C já se deu conta de que a saúde e a educação, por exemplo, não saem de graça nem representam benesses das autoridades.
Cliente do SUS: a classe C quer um atendimento público mais eficiente
“A classe média está mais ciente do imposto que paga e do retorno que lhe é dado em termos de serviços públicos”, afirma o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri. Essa constatação faz com que aumente a pressão sobre o governo para melhorar o sistema atual. Diante das novas exigências, o governo corre para dar conta da nova infraestrutura capaz de atender a uma demanda maior por eficiência e qualidade em áreas tão diferentes quanto hospitais, energia elétrica e aeroportos. No plano macroeconômico, o desafio é manter as conquistas que garantiram o aumento da renda e do emprego.
Neri, do Ipea: "Consumidores querem retorno dos impostos"
“Tivemos um grande avanço, e agora precisamos de políticas que preservem os ganhos”, afirma o ministro Wellington Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Para a nova classe média, o governo também precisa exercer um papel forte de regulador, já que esse consumidor usa cada vez mais os serviços privados de saúde e educação, além de comprar planos de internet, tevê a cabo e telefonia celular, por exemplo. Dos 48,6 milhões de usuários de planos de saúde, 11,4 milhões entraram no sistema nos últimos seis anos, de acordo com uma pesquisa da seguradora britânica Aon Hewitt Brasil. “Essa agenda de regulação do governo é muito importante”, diz Neri. “As empresas estão aumentando de tamanho, e a área de atendimento ao consumidor se torna mais crítica.”
Fonte: Economia Terra
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