segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Receita da KPMG no Brasil cresce 24% no ano fiscal

Por Fernando Torres | De São Paulo
A empresa de auditoria e consultoria KPMG fechou seu exercício fiscal de 2012, encerrado em setembro, com faturamento de R$ 819 milhões no Brasil. O valor é 24% maior do que o registrado no período anterior, conforme antecipado na semana passada pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor.
Na mesma linha do que tem sido dito pelas principais rivais, a empresa também inclui aquisições na estratégia de expansão futura. "A gente vê espaço para crescimento não orgânico [expansão por meio de aquisições] na área de consultoria e de tributos", disse Pedro Melo, presidente da KPMG no Brasil, acrescentando que isso vale para os níveis global, regional e local. No ano passado, a rede internacional comprou a consultoria BrainNet, especializada serviços ligados à cadeia de fornecedores, em operação que envolveu também a unidade brasileira.
Se o ritmo de expansão da receita da KPMG no último ano foi impulsionado pela compra dos negócios da antiga BDO Trevisan - já que esse foi o primeiro exercício completo pós-aquisição -, foi também prejudicado pelo rodízio obrigatório de auditores, que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exige a cada cinco anos, com o objetivo de preservar a independência do serviço.
Segundo Melo, o crescimento expressivo é motivo de comemoração especialmente por ter ocorrido nesse "momento delicado", com a rotação obrigatória de auditores entre as companhias abertas. Como tinha mais clientes para "doar" que a maior parte dos concorrentes, ela acabou sendo mais prejudicada nessa rodada. De acordo com o executivo, parte do efeito do rodízio deve afetar os números do exercício fiscal atual.
Embora não tenha revelado cifras separadas, Melo informou que o crescimento foi bom em todos os segmentos: auditoria, consultoria e tributos. O executivo disse que há "um movimento saudável de melhora de governança" das empresas de médio porte, que buscam acesso a capital, mesmo que fora da bolsa. E isso gera negócios.
Num patamar de empresas ainda menores, ele destacou o que chama de "revolução silenciosa" na área de governança tributária, diante da informatização da prestação de contas ao Fisco. "Para pagar bem impostos, as empresas precisam se preparar e ter melhores controles", disse.
A taxa de expansão da KPMG no último ano, de 24%, fica praticamente em linha com a divulgada pela Ernst & Young Terco (também favorecida por crescimento inorgânico) e está pouco acima do índice de 22% revelado pela PwC, que dessa vez se beneficiou mais do rodízio, por ter perdido muitos clientes na rodada anterior. Entre as quatro grandes no Brasil, a Deloitte foi a que apresentou crescimento mais modesto, de 12%, embora totalmente orgânico (expansão por meio da própria operação).
Em termos de faturamento nominal, a PwC segue na liderança, com receita que já passa de R$ 1 bilhão, embora tenha sido a única a não revelar o valor exato.
A Deloitte teve faturamento de R$ 932 milhões no ano fiscal encerrado em maio. A EYT fechou o ano fiscal (terminado em junho) com receita de R$ 900 milhões, deixando a KPMG em quarto lugar nesse quesito.
Charles Krieck, sócio líder de auditoria da KPMG, disse que está otimista com 2013 na área de mercado de capitais, assim que passar o Carnaval. Para o executivo, se antes as ofertas de ações não saíam na quantidade esperada porque do lado do investidor os juros altos eram muito convidativos, mais recentemente as operações foram travadas porque as empresas encontraram alternativas mais vantajosas para levantar capital. Ele disse, contudo, que já há companhias que começam a aceitar preços pedidos pelos investidores.
 
Fonte: Valor Econômico

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