Guilherme Lino
SÃO PAULO - O Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Itaú Unibanco formalizaram, ontem, termo de cooperação para implementar a criação de políticas de crédito para mulheres empreendedoras no Brasil. Atualmente, no Brasil, são 19 milhões de mulheres empreendedoras, o que representa 53% do total de empreendedores no País.
A parceria entre os bancos tem o nome de Women Entrepreneurship Banking (WEB), e tem como objetivo, ao longo de dois anos, identificar as necessidades financeiras e não financeiras das empreendedoras femininas. A ideia do WEB surgiu após experiências de campo que demonstraram especificidades no desenvolvimento do empreendedorismo feminino. O projeto terá etapas de pesquisa, sendo que uma delas é o atendimento de 1.500 empresárias que atuam no mercado de franquias, pequenas empresas em setores nos quais as mulheres têm maior participação, como no ramo de vestuário e de beleza. O projeto Web será dividido em quatro etapas. A primeira é a fase de conhecimento das clientes do Itaú e quais são as necessidades delas, sendo que será feito um diagnóstico das bases do Itaú com pesquisas disponíveis e entrevistas exploratórias. A segunda etapa envolve uma proposta, na qual o Itaú vai descobrir qual é a melhor oferta de valor, nos quais terão ferramentas inovadoras de marketing. A terceira etapa é a de relacionamento, no qual a instituição financeira vai descobrir como se relacionar com a cliente e também irá avaliar o risco do negócio para orientá-la. A quarta etapa será de expansão e replicação que é como garantir a gestão de conhecimento para expandir e compartilhar aprendizados, além do atendimento a 1.500 clientes do banco Itaú Unibanco. Segundo a representante do BID no Brasil, Daniela Carrera-Marques as ações como esta são importantes e destaca: "as mulheres brasileiras dedicam mais tempo e recursos aos estudos de hoje representam 60% dos proprietários de empresas, um percentual acima da média na América Latina do Caribe". Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento demonstram também que os bancos latinos e do Caribe consideram que as pequenas e médias empresas como estratégicas para seus negócios e estão aumentando e melhorando as políticas de financiamento no setor. As principais atividades em que as mulheres entram como novos empreendimentos são de comércio varejista, 33%, no ramo de alimentação chega a 20% e a Indústria de Transformação (indústria que transforma matéria-prima em um produto final ou intermediário para outra indústria de transformação) representa 12% das mulheres empreendedoras. Existe uma grande concentração das empresas administradas por mulheres em comércio vestuário, chegando a quase 60 mil empresas nessa área. As mulheres passaram a ocupar uma posição de destaque da renda familiar, sendo que 35% dos lares são sustentados por mulheres. De acordo com a diretora do Itaú Unibanco, Andreia Pinotti "as mulheres pensam, agem e trabalham de maneiras diferentes dos homens, por isso há a necessidade de considerarmos novas formas de atender o público". O projeto é visto "como uma grande oportunidade. Precisamos entender as dificuldades das mulheres quando vão abrir um negócio e que tipo de apoio a empreendedora precisa do banco", completa a diretora. Durante este ano e o próximo, o Itaú irá adaptar a oferta de crédito e outros produtos financeiros. O objetivo é verificar as necessidades dos termos de gestão e educação financeira, e também focar em setores como o comércio de vestuário e franquias. A instituição pretende desenvolver um processo de análise de crédito adaptado para as mulheres empreendedoras. Consórcio Especial Mulher Na semana passada, o Bradesco lançou o Consórcio Especial Mulher. O plano é destinado ao consórcio de imóveis e automóveis exclusivamente para o público feminino que conta com um conjunto de benefícios adicionais, entre eles assistência educacional e nutricional, concierge, segunda opinião médica internacional e serviços de babá. A diferença do Consórcio "convencional" para o Consórcio Especial Mulher é exatamente o aumento de serviços disponibilizados para as mulheres. O valor do consórcio exclusivo será o mesmo do que o convencional, mesmo com o aumento das vantagens para as mulheres. De acordo com Hélio Dias, da Bradesco Consórcio, este plano especial para mulheres deve "aumentar em 40% o número de mulheres clientes". Este novo consórcio exclusivo é apenas para clientes novos que abriram contas no banco a partir do dia 21 de janeiro, quando foi lançado o novo produto. | |
| Fonte: DCI – SP |
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Itaú e BID lançam programa inédito para empreendedoras
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